quinta-feira, 19 de abril de 2007

agora André estuda economia

André mudara muito. Era um jovenzinho promissor. Andava sempre bem arrumado e de gel no cabelo, fazia economia. Economia é um cursos de moços sérios. André era sério, usava terno e gravata, tinha gestos comedidos e era educado. Ganhava um salário de fome mas estava sempre na estica, com seus sapatos impecavelmente engraxados. Lembrava pouco aquele menino bobão de cinco anos atrás. Naquela manhã, André que havia esquecido de como era, iria lermbrar. Fatalmente lembraria.

Saiu apressado com gel segurando seu topete ao vento. Viu de relance Gabriela, que passava na calçada. Ia para o trabalho também, com calça azul de uniforme, bem justa ao corpo, uma sandália preta e uma blusa branca meio transparente com o logo de uma empresa. André figiu não ver e tomou seu rumo. Na pressa resolveu não pensar na moça. Inevitável: embarcou no ônibus e sentou-se. Na parada seguinte Gabriela embarca. Sem ter o que fazer, André deu um "oi" e sorriu sem exagero, como bom estudante de economia. Ela acenou com a cabeça, sentou-se na outra coluna de bancos e cruzou as pernas. Irresistível: André fitou as coxas de Gabriela, que pareciam magras mas generosas, tinham jeito de ser bem durinhas. Descendo pelas coxas com os olhos, viu que sua sandália preta era comum, nem feia nem bonita, mas que tinha pés delicados e bonitos. No geral o sandália não prejudicava nada. André parou de olhar, tentou não pensar.

Pensou: os inícios sempre fogem da memória. André só lembrava de estar enxergando tudo em ondas, e via Gabriela com o peito nu. Ela não era propriamente bonita, mas era bem jeitosinha. Tinha pele clara, dentes pequenos, nariz fino e grande e orelhas de abano. André pouco ligava, não estava em condições de escolher.
Gabriela parecia um passarinho caído do ninho e olhava tudo passiva com olhos arregalados. Tinha peitos gordinhos e delicados. André passava a mão por sua pele buscando concentração. "André, eu sou virgem" - ela falou. André tentou sorrir. Era só uma contração mínima do seu rosto. Num momento de extremo heroísmo conseguiu articular palavras tortas, "camisinha, já volto". Tirou a própria camiseta, pura demostração de testosterona, e foi se arrastando pela parede tentando descer as escadas. Tropeçou nos dois últimos degraus. Caiu com a cabeça no chão. Ergueu os olhos e viu a porta do banheiro. Arrastou-se até lá e instalou-se com a cabeça no vaso. Era uma figura patética de uma beleza triste. Boiavam por lá, pedaços de carne e arroz do carreteiro que havia comido horas antes.
Gabriela foi pra casa virgem.

André voltou a olhar pra Gabriela e seus peitos pareciam bonitos pela transparência da blusa do uniforme. A cara de Gabriela continuava feia, mas André se arrependeu. Afinal de contas Gabriela continuava jeitosinha e ele virgem.

2 comentários:

Uiliam disse...

cara.. tu é doente!!! heuaheau
mas eu acho que saquei qualé! hehe

bjo pra ti

Ângela disse...

gosto da série!?

bjao